De Trás para Frente

Um dia como outro qualquer…. Acordar, escovar os dentes, tomar o café com leite, usar meus óculos… E de um tempo pra cá a presbiopia me pegou de jeito, dizem que é ele, ele mesmo, o tempo que faz isso acontecer.E todos os dias eu lavo meus óculos e todos os dias enquanto a água se mistura no sabão das lentes eu lembro da minha mãe… Eu sempre lavei os óculos dela, desde menininha:

– Cuidado, Marcela, não vá cair com esses óculos!

Nunca caí. Não com os óculos dela.

E mais tarde, já moça, enquanto ela lia ou costurava, eu reparava nas lentes daqueles óculos e via tantos dedos…

– Como você tá enxergando, mãe?

E daí vem a cena da água e do sabão. E eu volto na estrada do tempo e por instantes desejo intensamente que aqueles fossem os óculos dela, para poder colocá-los em seu rosto, abraçá-la bem forte e dizer que estou seguindo a mesma estrada do tempo que ela, e que desejo, não urgentemente, estar com ela naquele lugar onde os óculos não servem pra nada. Te amo, mãe. Vivo de saudades.

 

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3 comentários

  1. “…saudade é como se fosse
    espinho cheirando a flor…”
    Vicente Celestino

    Bem sei desse sentimento na lembrança de uma avó querida. Faz parte não é amiga?
    Carinho
    S.O.
    Rio

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