A Arte do Não Saber….

Texto escrito para o dia do Artesão de 2012 um pouco mudado… Direto do túnel do tempinho. Afinal, nem faz tanto tempo assim…

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Eu não sei tanta coisa. Das mais fáceis às mais secretas, das mais poéticas às mais concretas, das simples às complexas. E no meio de todas as coisas que eu não sei, estou eu e o que sei. E nas duas pontas vive tudo o que eu não aprendi no passado e tudo que ainda posso aprender no futuro. Prêmios a serem alcançados todos os dias. A cada instante.

E esse é o meu fascínio por essa coisa do handmade. O fato dele nos colocar constantemente no papel de humildes aprendizes. Por esse ofício me proporcionar constantemente  esse exercício do aprender. Por disponibilizar tantos desafios. E há tanto a ser desvendado nesse universo do “faça você mesmo”.

Produtos diferentes e formas de produzi-los tão completamente não iguais. Numa agulha bordamos, com outras costuramos. Temos as que erguem pontos meias e tricôs, as que fazem correntinhas para pontos altos e baixos, as que colocamos nas máquinas, as grandes, as pequenas, as nacionais, as importadas… Para cada agulha uma linha, uma lã, um tecido. Para cada ponto erguido um aprendizado, uma ponte que atravessamos, um ensinamento que fica. Me vejo do outro lado.

Aprender! Aprender. Como eu gosto de aprender! Adoro a sensação de olhar algo que eu não tenho a menor ideia de como funciona. De como ficou em pé, ou de como colocaram aquele bendito zíper. Como é divina a sensação de não saber tudo e poder dizer isso despida do medo do implacável julgamento do parecer inferior. Eu não tô nem aí para o que pensam do que eu não sei.

E tem tanta gente que sabe! Por isso, é Igualmente libertador poder encher a boca para elogiar trabalhos de pessoas talentosas sem a obrigação de competir com elas, apenas porque reconhecer outros talentos é legal. Faz bem para quem é reconhecido e um bem ainda maior para quem os reconhece. Eu adoro ver o que as pessoas criam com seu talento, suas linhas, tecidos, feltros, lãs, agulhas, colas, tesouras, botões, papéis, fitas, rendas… É tanta gente cheia de arte, de intenções, de dons! E eu fico encantada com os materiais, com as formas, com as cores… E ainda mais encantada com quem precisa de quase nada para fazer coisas lindas e maravilhosas. Sim, porque talvez a beleza oculta dessa coisa do feito a mão seja justamente essa: a simplicidade dele ser tão humanamente alcançável. Por mais que este alcançável varie de mim para você, de Simone para Isabela, de Anas para Elos, de Patricias para Queilas, Dedas e Cristinas… E isso é tão legal. É essa variação que faz tudo ser tão coloridamente diferente.

E é essa a minha mensagem especial para o Dia do Artesão. Para vocês amigas artesãs, crafteiras, bordadeiras, crocheteiras, tricoteiras… Obrigada por me inspirarem e me ensinarem a ver o quanto ainda tenho para aprender!

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