A Vida Tem Dessas Coisas

Da Série: Reciclando

Textos Antigos com Alguma Coisinha Nova, ou não… No caso do texto abaixo eu já mudei de prédio e de zelador. Mas continuo apaixonada pelo mesmo marido. Amém!

 

Agora no meu prédio tem câmera no elevador. Coisa mais chata. E isso porque andaram rabiscando o Schindler com palavras impronunciáveis e muita arte abstrata. E a criatura era alta. Sim, porque os rabiscos eram lá em cima. Depois que fizeram isso, comecei a olhar com cara feia para todas as pessoas altas que eu encontrava no meu prédio. Ah sei lá! Pegou pra mim. P… a gente tinha acabado de gastar a maior grana pra reformar o elevador e daí vem um Terra dos Gigantes do nada e detona o nosso patrimônio? Fiquei pê da vida.

– Quem fez isso não mora aqui não. – afirma uma moradora

– Será? O que te faz pensar assim? – pergunto.

– Eu moro aqui tem muito tempo. Isso é coisa de quem vem visitar alguém. Só pode ser, né? – diz

– É? – e desço no meu andar enquanto reflito. Será que alguém cometeria tamanha atrocidade no elevador do alheio? E em caso positivo, por que diabos faria isso? Ainda bem que meu amigo que veio em casa ontem é baixinho.

– Olha isso. A pessoa fez assim com o braço ó. – explica o Zelador.

– Nossa! Pensando assim a pessoa não precisa ser necessariamente alta, né?

– Não precisa. É só esticar o braço assim ó. – e simula o movimento.

– Então pode ser um baixinho… – Pode. É só esticar o braço assim ó.

Caminho em direção a garagem envergonhada pelos olhares feios que desferi contra os de alta estatura, e começo então meu trajeto secando os baixinhos, mas presto atenção na extensão do braço. Baixinhos de braço curto eu dou bom dia.

– Você viu que absurdo fizeram no elevador? Isso aí é coisa de criança, tenho certeza. Eu acho até que sei quem foi. – diz outro morador enquanto esperamos o elevador.

– Imagine só. As crianças de hoje jogam vídeo game. Não tem mais tempo para riscar elevadores, tocar campainhas e correr, trocar as correspondências na porta dos apartamentos…

– Mas agora tem câmera no elevador e a gente pega o infeliz. – diz vizinho meio irritado.

E é uma pena ter câmera no elevador. A gente vai ficando cada vez mais BBB. Mas tudo bem, o que eu mais gosto de fazer no elevador eu continuo fazendo, que é dar meu beijo de despedida no meu amado marido todas as manhãs. Um beijo estalado, de pijamas, pantufas e com direito a gatos correndo em segundo plano. E fade out!

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